
Flagrar um Golden Retriever comendo fezes no quintal ou na sala é uma das experiências mais desconfortáveis para qualquer tutor. A raça é conhecida pelo temperamento dócil e pelo hábito constante de lamber as pessoas da casa, o que torna a situação ainda mais incômoda.
Esse comportamento tem nome clínico: coprofagia canina. Embora gere repulsa imediata, não se trata de uma atitude por birra, teimosia ou falta de higiene deliberada do animal.
Na maioria absoluta dos casos, a ingestão de fezes decorre de uma digestão acelerada com má absorção de nutrientes, falhas na rotina alimentar ou estresse ambiental. Com os ajustes corretos no manejo e os produtos adequados, é possível cortar esse ciclo de forma rápida e segura.
O Que É Coprofagia Canina e Quais São Seus Tipos?
A coprofagia é o ato de ingerir matéria fecal. Na medicina veterinária, o problema é categorizado em três padrões distintos:
- Autocoprofagia: Ocorre quando o cão consome as próprias fezes logo após defecar. É o tipo mais comum em filhotes e cães com digestão rápida.
- Coprofagia Intraespecífica: Ocorre quando o animal come os dejetos de outros cães que vivem na mesma residência ou que encontra pelo caminho durante os passeios.
- Coprofagia Interespecífica: Trata-se da ingestão de dejetos de outras espécies, sendo extremamente comum em casas onde cães convivem com gatos. As fezes dos felinos possuem alta concentração de proteína aromática residual, tornando-se altamente atrativas para o olfato canino.
Por Que o Golden Retriever Come Fezes? As Causas Reais
Para solucionar a coprofagia sem frustrações, é necessário identificar a causa raiz. No caso do Golden Retriever, fatores fisiológicos e comportamentais costumam agir em conjunto.
1. Voracidade e Má Quebra Enzimática dos Alimentos
O Golden Retriever possui um apetite notório e tendência a aspirar a ração sem mastigar os grãos. Quando o alimento chega em grandes pedaços ao estômago, o tempo de trânsito gastrointestinal não é suficiente para que as enzimas quebrem todas as moléculas de gordura e proteína.

O resultado é a eliminação de fezes com alto índice de nutrientes intactos. Para o olfato apurado do cachorro, o odor das fezes é quase idêntico ao da ração original no prato, estimulando a reingestão.
2. Deficiência de Absorção e Verminoses Intestinais
Mesmo recebendo uma ração de padrão Super Premium, o organismo do pet pode estar com a absorção prejudicada. Quadros de verminose intestinal crônica, desequilíbrio na flora bacteriana ou insuficiência pancreática exócrina (IPE) impedem a captação de vitaminas do complexo B.
Instintivamente, o animal recorre à ingestão de fezes como uma tentativa biológica de recuperar os nutrientes eliminados.
3. Tédio, Falta de Estímulo e Energia Acumulada
Como uma raça de caça e trabalho, o Golden Retriever exige estímulo físico e mental diário. Cães que passam horas sozinhos em quintais sem atividades acabam transformando os próprios dejetos em brinquedos de exploração oral. O que começa como curiosidade passageira vira um hábito fixado pelo tédio.
4. Ansiedade por Punições Incorretas
Gritar, bater palmas ou esfregar o focinho do filhote nas fezes quando ele erra o local do sanitário é um erro grave. O animal não compreende a repreensão geográfica; ele apenas entende que a presença das fezes perto do tutor gera perigo e estresse.
Para evitar novas broncas, o cão passa a ingerir os dejetos rapidamente para sumir com as evidências.
Comparativo: Causa Biológica vs. Causa Comportamental
| Fator de Avaliação | Origem Nutricional / Fisiológica | Origem Comportamental / Psicológica |
| Momento da ingestão | Imediatamente após defecar | Momentos de solidão ou tédio |
| Velocidade na refeição | Engole a ração em menos de 1 minuto | Come no ritmo normal |
| Consistência das fezes | Volumosas, gordurosas ou amolecidas | Fezes firmes e bem formadas |
| Histórico de broncas | Raro ou ausente | Frequente no aprendizado sanitário |
| Principal solução | Enzimas digestivas e comedouro lento | Enriquecimento ambiental e rotina |
Riscos da Coprofagia para a Saúde do Cão
A coprofagia não deve ser ignorada, pois expõe o animal a riscos clínicos contínuos:
- Reinfestação por giárdia e Vermes: O ciclo de recontaminação por protozoários torna-se infinito se o cão ingerir fezes contaminadas por cistos.
- Gastroenterites Bacterianas: Contaminação do trato gástrico por bactérias nocivas como Salmonella e Escherichia coli.
- Halitose Severa e Placa Bacteriana: O contato frequente com dejetos acelera a proliferação bacteriana na cavidade oral, gerando mau hálito e tártaro precoce.
Protocolo Prático para Eliminar a Coprofagia
A erradicação definitiva do hábito exige uma intervenção em duas frentes: manejo ambiental imediato e suporte digestivo.
1. Higienização Silenciosa e Imediata
Retire o acesso visual e físico do cão aos dejetos. No momento em que o animal terminar de evacuar, chame-o com uma voz animada para outro ambiente, recompense com um petisco seguro e recolha o material sem que ele assista à limpeza.
2. Fracionamento das Refeições Diárias
Evite fornecer o volume diário total de ração em uma ou duas porções grandes. Divida a quantidade recomendada em 3 a 4 porções menores ao longo do dia. Isso reduz a sobrecarga enzimática no estômago e garante que cada grão seja digerido por completo.
3. Uso de Suplementos Inibidores de Coprofagia
A intervenção mais rápida e recomendada na rotina veterinária é o uso de suplementos inibidores de coprofagia de uso oral contínuo.
Esses produtos combinam enzimas que melhoram a digestibilidade da ração com extratos vegetais e minerais que alteram as propriedades químicas dos dejetos. Quando eliminadas, as fezes adquirem um sabor extremamente amargo e repulsivo ao paladar canino, fazendo o pet perder o interesse logo nas primeiras doses.
💊 Solução Direta para Coprofagia:
Restabeleça a quebra dos alimentos e torne os dejetos impalatáveis de forma segura com um suplemento inibidor mastigável de alta aceitação.
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4. Redução da Velocidade com Comedouro Lento
Como a ingestão voraz é o ponto de partida da má digestão no Golden Retriever, desacelerar o ritmo da refeição é indispensável.
O comedouro lento com divisórias tipo labirinto obriga o cachorro a capturar grão por grão com a língua. Isso quadruplica o tempo de alimentação, estimula a mastigação mecânica, aumenta a produção de saliva e assegura uma digestão homogênea.
🥣 Controle Digestivo Obrigatório:
Impeça que seu cão engula a ração inteira, melhore a absorção de nutrientes e evite engasgos com um comedouro interativo anti-voracidade.
5. Enriquecimento Ambiental e Mordedores Resistentes
Substitua a necessidade de exploração oral por itens apropriados. Ofereça brinquedos de borracha resistente recheados com alimento úmido congelado ou mordedores de nylon atóxico para manter o cão entretido durante os períodos de ócio.

Perguntas Frequentes Sobre Coprofagia (FAQ)
1. Dar abacaxi ou mamão para o cachorro para de comer fezes?
Alimentos como o abacaxi contêm bromelina, uma enzima que auxilia na quebra proteica e pode alterar o aroma das fezes. No entanto, o excesso de frutas ácidas pode irritar a mucosa gástrica do cão. O uso de formulações laboratoriais controladas é muito mais seguro e consistente.
2. Quanto tempo demora para o suplemento inibidor surtir efeito?
A alteração no odor e sabor das fezes ocorre geralmente entre 48 a 72 horas após o início do uso ininterrupto, devendo ser mantido por no mínimo 30 dias para a consolidação da mudança comportamental.
3. Filhotes deixam de comer fezes quando crescem?
Se a causa for apenas curiosidade de filhote, o hábito pode regredir. Contudo, se estiver enraizado na voracidade alimentar ou reforçado por broncas, o comportamento se perpetua na fase adulta se não houver correção de manejo.
Quando Levar o Animal ao Médico Veterinário?
Procure avaliação clínica se o cão apresentar sintomas como fezes líquidas com muco ou sangue, perda de peso involuntária, apatia ou vômitos frequentes. O veterinário solicitará exames coproparasitológicos seriados e painel de função pancreática para descartar enfermidades sistêmicas.
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